Durabilidade de dormentes ferroviários de concreto

Pesquisadores da UFU avaliam a durabilidade de dormentes ferroviários de concreto

Você já parou para pensar no que sustenta os milhares de quilômetros de ferrovias que cruzam o Brasil? Muito além dos trilhos de aço, existe um componente fundamental chamado dormente. Para garantir que essa estrutura suporte o peso massivo dos trens e o desgaste do tempo, o grupo de pesquisa em Durabilidade e Análise Estrutural (DurAE) da Universidade Federal de Uberlândia (UFU) desenvolve estudos de ponta.

A Evolução dos Dormentes: Da Madeira ao Concreto

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(Foto: DurAE)

Tradicionalmente, os dormentes eram feitos de madeira. No entanto, esse material possui uma vida útil considerada curta para as necessidades de longo prazo de um projeto ferroviário. Com o avanço da engenharia, o concreto tornou-se o padrão global.
O desafio agora é entender como esse concreto se comporta ao longo de décadas. É aqui que entra o trabalho do DurAE, coordenado pelo Professor Dr. Antônio Carlos dos Santos, da Faculdade de Engenharia Civil (FECIV), da Universidade Federal de Uberlândia (UFU), que investiga o desempenho dessas estruturas sob esforços mecânicos repetitivos e condições ambientais variadas, como umidade e variações de temperatura.

Ciência que “Acelera o Tempo”

Uma das partes mais fascinantes da pesquisa ocorre na estação experimental de tratamento da Faculdade de Engenharia Civil (Feciv/UFU). Lá, os cientistas realizam ensaios em diversas escalas para simular o que aconteceria com o dormente em situações reais de uso.
O grupo utiliza tecnologias impressionantes, como uma câmara que simula uma atmosfera saturada em CO². Esse processo permite prever patologias no concreto e no aço de forma acelerada: apenas três meses de testes laboratoriais conseguem simular os efeitos de 50 anos de vida útil da estrutura. Esse diagnóstico preciso é essencial para orientar decisões técnicas fora dos laboratórios e aumentar a segurança das ferrovias.

Impacto na Sociedade e Reconhecimento

O trabalho não fica restrito aos muros da universidade. O projeto conta com a parceria de empresas privadas, permitindo que os resultados sejam aplicados diretamente na infraestrutura das companhias ferroviárias brasileiras.

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Os dados coletados, por meio dos testes realizados, ajudam a tomada de decisões técnicas na vida real – (Foto: DurAE)

O impacto dessa trajetória é tão relevante que o Professor Antônio Carlos dos Santos, recebeu o prêmio Fernando Luiz Lobo Barbosa Carneiro, concedido pelo Instituto Brasileiro do Concreto (Ibracon), em reconhecimento à sua contribuição para o avanço da engenharia de estruturas de concreto. Para o professor, o prêmio reflete o objetivo maior da pesquisa: promover uma mudança efetiva no futuro da sociedade.

O prêmio Fernando Luiz Lobo Barbosa Carneiro, reconhece o empenho e trabalho de pesquisadores que, com sua contribuição científica, cooperam para o desenvolvimento da engenharia civil nacional.

Fonte original: Diretoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Uberlândia – Portal Comunica UFU
Autora: Aléxia Vilela
Texto adaptado de publicação original de 29/12/2025.

Link: https://comunica.ufu.br/noticias/2025/12/pesquisadores-da-ufu-avaliam-durabilidade-de-dormentes-ferroviarios

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