Considerações sobre o ensaio de Compressão do Concreto segundo a NBR 5739:2018
O ensaio de compressão axial é considerado o principal controle tecnológico do concreto, sendo o parâmetro mais valorizado desde a moldagem até a conclusão de uma estrutura. Para garantir resultados precisos, o procedimento deve seguir rigorosamente a ABNT NBR 5739, que teve sua versão mais recente atualizada em 2018
Neste artigo, detalhamos os requisitos de aparelhagem, preparação e os cálculos necessários para validar a resistência do material.
O que mudou na NBR 5739?
A norma prescreve o método para ensaiar corpos-de-prova cilíndricos, sejam eles moldados (conforme NBR 5738) ou testemunhos extraídos de estruturas (conforme NBR 7680).
Uma das mudanças mais importantes na versão de 2018 refere-se à relação altura/diâmetro (h/d). Enquanto versões anteriores limitavam essa relação a 2,02, a norma atual permite que os exemplares tenham uma relação h/d de no máximo 2,06. Caso essa relação seja inferior a 1,94, é obrigatória a aplicação de um fator de correção sobre o resultado da resistência.
O vídeo acima, produzido pelo Prof. Marcos Valin Jr, ilustra de forma prática e elucidativa o procedimento NBR 5739:2018 – Concreto – Ensaio de compressão de corpos de prova cilíndricos
Aparelhagem e calibração dos equipamentos
No contexto da NBR 5739, a aparelhagem é um dos pilares fundamentais para assegurar a confiabilidade do ensaio de compressão, visto que qualquer desvio técnico nos equipamentos pode comprometer a validade da resistência apurada para o concreto. De acordo com as fontes, o conjunto de aparelhagem divide-se principalmente em três frentes: a máquina de ensaio (prensa), os pratos de compressão e os instrumentos de medição.
Para a execução correta, o laboratório deve contar com equipamentos calibrados (segundo a norma ABNT NBR ISO 7500-1) e de alta precisão:
- Máquina de Ensaio (Prensa): Deve ser de Classe 1 para laboratórios de ensaio e, no mínimo, Classe 2 para laboratórios instalados em obras. O equipamento deve aplicar carga contínua e sem choques.
- Paquímetro: Utilizado para medir as dimensões do corpo-de-prova com resolução de pelo menos 0,1 mm.
- Pratos de Compressão: Devem possuir dureza mínima de 55 HRC e o prato superior deve ser provido de uma articulação do tipo rótula esférica para garantir a distribuição uniforme da carga.
Preparação das bases e execução do ensaio
Preparo dos corpos-de-prova
Os exemplares devem ser mantidos em processo de cura úmida ou saturada até o momento do ensaio. Antes da compressão, as bases devem ser preparadas para garantir que fiquem planas e niveladas. Os métodos aceitos incluem:
- Uso de pasta de cimento ou enxofre.
- Retífica das bases (acabamento mecânico).
- Uso de neoprene (placas de elastômero) para regularizar a superfície de contato.
Procedimento de carregamento
- 1. Limpeza: As faces dos pratos e do corpo-de-prova devem estar limpas e secas.
- 2. Centralização: O exemplar deve ser centralizado no prato inferior, preferencialmente utilizando os círculos concêntricos de referência.
- 3. Velocidade: A força deve ser aplicada continuamente a uma velocidade de (0,45 ± 0,15) MPa/s.
- 4. Ruptura: O carregamento só deve cessar quando houver uma queda de força que indique a ruptura do material.

Como calcular a resistência à compressão (fc)?
O resultado deve ser expresso em Megapascals (MPa), com três algarismos significativos. A fórmula utilizada é:

Onde F é a força máxima em Newtons e D é o diâmetro médio em milímetros.
Dica Prática: Se a sua prensa indicar o resultado em outras unidades, você deve converter para Newtons (N) antes do cálculo:
- De kN para N: multiplique por 1.000.
- De kgf para N: multiplique por 9,8.
Análise dos resultados e o Relatório de Ensaio
O relatório final é essencial para a rastreabilidade da obra. Ele deve conter a identificação do corpo-de-prova (como número da nota fiscal ou lote do concreto), datas de moldagem e ensaio, dimensões e o tipo de capeamento utilizado.
Além disso, é fundamental identificar o tipo de ruptura ocorrida (conforme o Anexo A da norma), que pode variar de cônica (Tipo A) até fraturas no topo ou base (Tipo F e G). Uma dispersão significativa nos resultados pode indicar falhas no preparo das bases ou na moldagem do concreto.
Equipamento utilizado no ensaio de compressão
O ensaio deve ser realizado em uma prensa de ensaio de compressão, devidamente calibrada e em conformidade com a ISO 7500-1, garantindo exatidão na medição da força aplicada.
Importância da calibração da prensa
Uma prensa descalibrada pode gerar:
- Resultados incorretos de resistência
- Não conformidades em auditorias
- Questionamentos técnicos e jurídicos sobre laudos
Principais erros que comprometem o ensaio
Alguns erros comuns podem invalidar o resultado do ensaio, tais como:
- Corpo de prova mal moldado ou curado
- Faces irregulares ou desalinhadas
- Centralização incorreta na prensa
- Prensa sem calibração válida
- Aplicação de carga fora dos parâmetros normativos
Esses problemas afetam diretamente a distribuição de tensões e podem levar a resultados não representativos.
Importância do ensaio para o controle tecnológico
O ensaio de compressão do concreto é essencial para:
- Garantir a segurança estrutural
- Validar o desempenho do concreto
- Atender às normas técnicas
- Sustentar decisões de engenharia

Quando executado corretamente e conforme a NBR 5739, o ensaio fornece informações confiáveis para o controle e aceitação do concreto.
O ensaio de compressão do concreto, quando realizado segundo os critérios da ABNT NBR 5739, é uma ferramenta indispensável para assegurar a qualidade e a conformidade do concreto utilizado em obras. O respeito aos procedimentos normativos, aliado à calibração adequada dos equipamentos, garante resultados confiáveis e tecnicamente defensáveis.
*Este conteúdo foi elaborado com base nas normas ABNT NBR 5739:2007 e nas atualizações da versão 2018. Para fins de certificação laboratorial, e demais motivações, consulte sempre o texto integral da norma vigente.
